| Todos os dias
Estive há dias a pôr a conversa em dia com o Francisco. Quando me perguntou por ti, contei que não falávamos desde o ano passado mas que estava tudo bem. Ficou feliz, comentou que afinal não tinhas sido tão importante nem tão difícil de esquecer. Retorqui que estava bem mas que pensava em ti todos os dias. Fez-se silêncio, riu e mudou de assunto, não sei para que assunto, porque fiquei a pensar na frase que disse sem pensar.
Penso em ti todos os dias. Não todos os dias da mesma forma, mas todos os dias de alguma forma. Nunca com melancolia, nunca com tristeza, nunca com saudade. Penso em ti como as músicas que me ensinaste a ouvir, como regras que decidimos seguir, como silêncios escassos que ousámos quebrar.
Penso em ti todos os dias e ao pensar dei-me conta de que não presto atenção aos detalhes do presente mas podia viver facilmente nos detalhes de memórias tuas. São detalhes que se insinuam como a praia no inverno, ondas ao longe, eco que acalma a tarde. Aprendi a convocar memórias tuas, quando preciso delas, quando faz falta o silêncio, quando é preciso continuar.
Penso em ti todos os dias, porque pensar em ti me faz bem, de formas que sei dizer e de outras que não sei bem dizer, mas sei sentir.
Suponho que um dia vou passar todo o dia sem pensar em ti.
Hoje não foi ainda esse dia.
terça-feira, fevereiro 03, 2026
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