| Quando quiseres
Gostava que olhasses desse lado do quarto, desse lado da vida, que respondesses, com palavras, ao que te pergunto em silêncio há semanas.
Gostava de eliminar os rodeios, as respostas com pontos de interrogação. Uma resposta deve ter um ponto final a fechar de forma definitiva a ideia. Gostava que a coragem não fosse só uma palavra, que tivesses coragem para variar.
Conto em silêncio os dias, sei ao que vens, estou mais do que pronto.
Quando feitas as contas, cadernos fechados, despojos vendidos, quando sem remorsos nem saudade se der por concluída a operação a que te propuseste, últimas palavras em tom de despedida. Quando finalmente saíres, a casa em silêncio, molduras vazias, copo de vinho cheio, um livro qualquer, a televisão desligada, podes levar a televisão se não te causar transtorno.
Quando finalmente sentir que já não existes, posso começar a fingir não sentir a tua falta.
terça-feira, março 03, 2026
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