| Oásis
Depois de atravessar o deserto
descansou um pouco.
muito pouco,
porque o destino não era perto.
E os caminhos sucedem-se em cruzamentos
que esperam escolhas insuspeitas
onde se julgava ser a estrada em linha reta.
Depois de atravessar o ermo lugar,
cheio de silêncio e vazio,
deixou à saída a morte
que lhe fizera companhia,
pressentida no adivinhar da queda,
na doce e convidativa desistência.
— O que é preciso
é esconder eventuais marcas,
vestir a pele da personagem,
entrar de rompante no mundo.
Representar de forma arrebatadora
o papel principal
nem que o palco que seja só meu.
quarta-feira, maio 23, 2007
sexta-feira, maio 11, 2007

| Conteúdo de um silêncio
Gosto de te imaginar, não aqui. (A luz tardia que se escapa por entre a janela mal fechada, o silêncio por entre o fumo do teu cigarro.)
Gosto de te imaginar, não agora. (Os minutos que passam sem pressa, o tempo que se saboreia em melancólica monotonia.)
Assumes o teu tom de desafio, constante, habitual, familiar. Eu vagueio e desenho em tela invisível o que imagino serás um dia. Gosto de te ver, longe no espaço e no tempo, de descobrir que não desiludes ilusões, embora já não me pertenças. Observo na confortável distancia de um narrador ausente sem evitar o sorriso, por saber que não obstante a vontade de transpor a barreira, de reescrever um final feliz, este é tão perfeito como deve ser.
Regresso, continuas aqui. Levanto-me de repente, com um beijo e uma frase banal, arrumo prontamente os devaneios e as imagens que criei.
- Estamos atrasados meu amor.
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