| Velho de gabardine roxa
Esperei impaciente que o autocarro arrancasse de novo, estava com pressa. Como se não bastasse o trânsito habitual, justamente agora o autocarro à minha frente tinha decidido demorar uma eternidade a deixar passageiros. Quando finalmente sinalizou retomar o caminho, suspirei de alivio. O autocarro avançou e deixou visível na paragem à direita, um velho sorridente que vestia orgulhosamente uma gabardine roxa. Não era uma gabardine demasiado ostensiva mas era invulgar o suficiente para se fazer notar.
Pensei na história dele. Inventei a história dele. Como será quando eu for ele.
Segui a viagem mas não dei conta do caminho. Fiquei a observar um velho na paragem, com uma gabardine roxa, enquanto a tarde se arrumou em noite.
terça-feira, fevereiro 03, 2026
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