| Desassossego
SOSSEGO lê-se na mão da mulher em pé.
E o dedo indicador dança contra o metal do pilar central, em desafio da recomendação escrita.
No braço espreita uma estrela e um desenho esconde-se e desaparece na manga do casaco.
Um comboio cheio é uma biblioteca de histórias.
Um homem luta entre o sono e o vídeo no telemóvel que cai repetidamente até que desiste, embalado pelo sol que atravessa a almofada de vidro improvisada.
O revisor valida bilhetes, desapaixonadamente, de verde em verde.
A maquineta portátil rejeita em vermelho vivo vários dos bilhetes que a mulher sentada vai resgatando ao fundo da mala.
As pessoas por perto olham, curiosas.
Quantas tentativas serão precisas.
Quantas são demasiadas?
— Eu… nunca tive ilusões.
O homem fala com alguém longe, que não pode, nem quer, imaginar as histórias deste comboio, nem sequer as do homem que fala.
Alguém pede licença.
As portas abrem na nova estação.
domingo, abril 12, 2026
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